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Entrevista – Otávio Mesquita: “Em 2008, quero brigar de novo pelo título”

O jeito travesso continua o mesmo que pode ser visto há anos em programas noturnos de televisão. De alguns anos para cá, o que mudou em Otávio Mesquita foi a maneira de encarar as corridas. O “piloto-apresentador”, que não se incomodava em andar entre os últimos e até fazia graça disso, foi aos poucos passando a “se levar mais a sério”, fazendo inclusive uma preparação física apurada e se interessando profundamente pela técnica de pilotagem e pelo acerto da máquina.

O resultado dessa metamorfose é que na primeira temporada do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil, em 2005, Mesquita já era uma presença constante entre os seis primeiros colocados. Naquele mesmo ano, obteve suas duas primeiras vitórias − na categoria e no automobilismo, esporte no qual já tinha 15 anos de carreira. Em 2007, começou o ano liderando o campeonato e obteve sua primeira pole position. Terminou a temporada em terceiro lugar.

Nesta entrevista, Mesquita não esconde que sua meta é conquistar o título do Porsche GT3 Cup. Conta ainda duas histórias que comprovam: o senso de humor que os telespectadores conhecem nas telas é o mesmo que pilotos, mecânicos e jornalistas conhecem nos boxes. Confira.

Qual foi o melhor momento da temporada 2007 para você?

O começo do ano foi muito bom para mim. Foi inesquecível vencer a prova 2, em Jacarepaguá. Tive uma disputa muito forte com o Beto Posses e consegui ultrapassá-lo na Curva da Vitória, na última volta. Disputamos a freada, fiz por dentro e ele deu uma escapada. Com isso, consegui a ultrapassagem. Eu gritava feito criança dentro do carro! Recebi a bandeirada em segundo lugar, mas eu sabia que o Pater (Luiz Otávio Paternostro) não pontuava porque corria como convidado. Fiquei com os 20 pontos da vitória e saí do Rio de Janeiro liderando o campeonato. No evento seguinte, em Interlagos, fiz minha primeira pole e liderei por um bom tempo.

O que você espera do Porsche GT3 Cup para 2008, com os carros novos (geração “997”)?

Acho que a categoria vai melhorar ainda mais. O carro tem um sistema de captação de dados que vai ajudar muito os pilotos a se aprimorarem, a encontrar maneiras de andar mais rápido. Pretendo usar isso e, sem falsa modéstia, acho que vou estar entre os quatro candidatos mais fortes ao título.

Por falar em título, você mencionou o começo da temporada de 2007, em que chegou a liderar o campeonato. O que aconteceu depois?

Eu poderia chegar às provas finais disputando o título com o Ricardo Baptista, mas sofri duas punições que me custaram pontos importantes. Uma na prova 10, em Santa Cruz do Sul, por queima de largada, e outra na prova 12, em Curitiba, por causa de um toque no Marcel Visconde. Além disso, tive o trambulador quebrado na prova 11, também em Curitiba. Depois, não marquei nenhum ponto na preliminar da Fórmula 1, em Interlagos. Foram seis provas consecutivas nas quais só marquei um ou dois pontos… Fora isso, o Ricardo fez uma temporada impecável, não teve problemas e mereceu ser campeão. Felizmente, consegui ficar em segundo nas provas finais e salvei o terceiro lugar no campeonato.

Cite um momento marcante de sua carreira nas pistas.

Só um? Posso mencionar vários… Um foi a minha estréia na Copa Fiat Uno, em Interlagos. Eu já tinha experiência com kart, mas estava estreando em automóvel. Larguei em 40º lugar, último tempo, e meu companheiro de equipe era o Chico Serra, que largava na pole. Era a última corrida do ano − isso foi em 1992, 1993, por aí − e o Chico veio me falar algo como “Quando acender o sinal verde você vai embora”. Foi o que fiz: larguei e passei um monte de gente. Vi que estava muito rápido e quando vi o Chico na minha frente percebi que todo mundo estava esquentando pneu. Era a volta de apresentação… É claro que eu sabia dos procedimentos, mas naquele dia me deu um branco. Na emoção, adrenalina a mil, esqueci de tudo e saí “queimando”… Foi engraçado, pelo menos.

A outra foi quando eu corrida de picape no Campeonato Paulista. Os seis primeiros colocados estavam numa tremenda briga e eu era o quarto, até quebrar o trambulador. Parei na beirada da pista e os outros, todos meus amigos, fizeram sinal para mim, tipo “se estrepou…”. Na volta seguinte, quando o bolo ia passar por mim, abaixei o macacão e fiz uma dança para eles. Todo mundo se desconcentrou! Quem estava liderando caiu para quarto, o terceiro subiu para líder… Dei muita risada naquele dia.

Reprodução de textos e fotos autorizada para uso jornalístico. Créditos: Divulgação Porsche GT3 Cup (texto) e Vinicius Nunes/divulgação Porsche GT3 Cup (fotos).

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